Tuesday, October 24, 2006

Simplesmente Marie: capítulo 1 - conheça a atmosfera cotidiana de Marie

Marie acorda com o sol batendo no seu rosto, e ela se lembra de ter que comprar uma cortina mais grossa para seu mísero quarto. Ela se prepara para mais um dia infernal em sua vida, indo para o mísero trabalho na lanchonete do Jhone's. Ela levanta, abre a cortina e vê tudo aquilo de novo, aquele inferno financeiro que é a cidade onde mora. Voltamos aos tempos do capitalismo selvagem. A rua já estava banhada pelo sol, que anunciava mais uma vez que estávamos, infelizmente, vivos. Marie colocou a água para esquentar no fogão, e foi até a porta para pegar o jornal, pelo menos isso eles faziam no prédio. Abriu as páginas e viu a mesma coisa de sempre: assaltos a mão armada, tentativa de terrorismo, assassinatos, estupros, furtos de carro, atropelamentos, mortes, mais mortes, mais mortes e o que chamou a atenção de Marie, no rodapé da terceira folha:

Idoso se suicida no alto de um prédio
Um senhor de aproximados sessenta anos cometeu, na noite de ontem, suicídio no alto de um prédio no centro da cidade. Sua identidade ainda é desconhecida, e o que atrapalha a identificação é a deformidade de sua cabeça, já que o mesmo se suicidou com um tiro na boca.

É impossível Marie não ter pensado "nossa, até mesmo senhores de idade estão fazendo isso agora", lhe parecia meio cruel mas ela se conformou que todo mundo deve ter pensado a mesma coisa. E Marie é assim: conformidade em primeiro lugar. Você se conforma? que bom, então você não tem culpa. Talvez ela nunca tenha parado para pensar que isso sim era um pensamento cruel, mas bem, ela ja esta atrasada. Marie correu até o espelho e penteou seus cabelos pretos até o ombro (requisito do Jhones: manter o cabelo até, no máximo, o ombro. Ps. ele confere no começo de cada expediente o tamanho do cabelo dos funcionários). Marie tem uma postura de femme fatale, com um metro e setenta e seis, corpo bem torneado, olhar fino, fixo e com lábios finos, bem delineados. Sem mais demoras Marie pega a pequena bolsa e corre para a torradeira, pega duas torradas e sai comendo, enquanto bate a porta do apartamento. Os corredores daquele lugar continuam um lixo: as paredes descascadas deixam o lugar fedendo a mofo, a escada tem o corrimão gorduroso e o elevador pixado fazia barulhos alguns dias atrás, até cair do segundo andar ontem, deixando a senhora Gizel com uma perna e duas costelas quebrada, ela disse que vai processar o prédio, coitada, vai morrer sem ver a cor do dinheiro, o que não é muito difícil já que esta com setenta e oito anos (as vezes Marie se pergunta como ela não morreu na queda do elevador). Marie foi descendo as escadas, sem tocar no corrimão. Os degraus também estavam imundos, com uma cor marrom fora do normal, tirando as camisinhas usadas que o garoto Timmy usa para se masturbar nos corredores, Marie ja o pegou se masturbando duas vezes. Ele mente que transa com garotas ali nas escadas. Chegando no andar térreo Marie teve que ver a cara mal encarada do porteiro Thomas, velho que esteve na guerra do golfo, cego do olho direito e surdo da orelha esquerda, resmungão até não poder mais, reclama de tudo, até mesmo da sujeira do prédio (sendo que a limpeza é trabalho dele). Thomas mantém o que sobrou de seu cabelo sempre penteado para trás com gel, usa sempre o mesmíssimo macacão azul sujo, fedendo a suor. Marie passa, tentando se fazer de despercebida da existência dele em sua cabaninha no meio do amplo corredor:

- Não é só você que mora aqui no prédio mocinha - ela sentia o bafo a metros dele, enquanto gritava para que todos escutassem.
- E daí? quem me dera eu fosse.
- Você conhece as regras para som alto, até as sete apenas.
- Sim, e dai?
- Você estava escutando rádio ontem
- Até as sete
- Não no meu relógio garota
- Pois então sugiro que compre um novo, até mais - que ódio, Marie fervia por dentro, tinha vontade de agarra-lo pelo cangote e bater com sua cabeça no balcão, mas não fez por que iria sujar suas mãos naquele macacão, e, principalmente, naquele balcão, que não via um pano desde que saíra da loja.
Marie pegou a direita ao sair do prédio e caminhou dois quarteirões, até avistar de longe aquele maldito letreiro em forma de batatas fritas e um hamburguer dizendo: Johne's. Estava desligado, se bem que se tivesse ligado só conseguiria enxergar o "j" e o "n" do nome, a parte de cima de uma das batatas e dois incríveis gergelins no pão. Ela odiava ter que trabalhar de manhã. Tinha que aturar pessoas de mal humor logo na primeira hora da manhã, e ainda estar sempre sorrindo (enquanto Johnes vigia é claro) e o pior ainda é que é terça, dia do faxinão: vamos todos (com um lindo sorriso no rosto) limpar as máquinas cheias de gordura, deixar o frezzer brilhando, limpar os banheiros e etc... enfim, deixar tudo "limpinho", por que a idéia de "limpeza" do Johnes dependia de muitos fatores, mas o que mais pesava era o seu humor e, infelizmente, Marie já teve de trabalhar terças de mau humor do Johne.

Friday, October 06, 2006

Sorte grande, sorte grande, sorte grande ...


Seus passos ecoavam pelo pequeno beco que se estendia nas suas costas. Seus pés pisavam nas poças enquanto o vento espalhava seu velho cabelo branco.
Os sons o confudiam, como estavam fazendo a dias, e a luz lhe sensibilizava os olhos, protegidos por lentes redondas de um óculos com armação marrom claro.
As escadas faziam um barulho engraçado, sempre faziam, aquele barulho o encomodava. Mas o que mais o encomodava era aquela sensação. Aquela angústia de não saber se aquilo é certo, masa falar que é errado também é hipocrisia.
Lá em cima o vento frio castigava sua péle cansada. Suas mãos tremiam dentro de seu sobre-tudo de couro cinza. A altura era grande, seu olhar fitava os carros, o chão que o chamava quinze andares abaixo. Sua respiração era forçada, com muita força. Aquele senhor ali parado, no alto de tudo aquilo, no alto de toda uma realidade, a dois passos do fim, a dois passos de algo tão misterioso como o começo de tudo isso. Ele acendeu um cigarro, deu duas tragadas e acabou esmagando o cigarro com o sapato preto, olhou para o céu, respirou fundo e deu um passo, ficando a beira de todos setenta e dois anos, suas mãos suadas sairam dos bolsos, deixando a mostra um revólver de metal escuro, com um tambor vazio. As velhas mãos abriram o tambor com esforço, a mão esquerda foia até o bolço e tirou de lá uma bala dourada, de ponta fina. O barulho de metal contra metal foi delicado, enquanto a bala preenchia um dos seis vazios no tambor do revólver. Uma roleta russa. Enquanto o tambor girava e fazia um barulho de uma roleta legitima:

- Sorte grande, sorte grande

O cano frio encostou a sua língua, ele sentiu o gosto do metal e sentiu seu dedo fazer pressão no gatilho, que dava pequenos estalinhos enquanto corria um direção a arma.

Sorte grande, sorte grande, sorte grande ...

Bem ... esse é o meu Blog e nele eu pretendo postar alguns pequenos contos de minha autoria para ver como a critica ve meu pequeno hobby OK?

Tenham uma boa leitura, muito obrigado por gastarem seu tempo aqui e desculpem pelos erros de português o.-