Sorte grande, sorte grande, sorte grande ...
Seus passos ecoavam pelo pequeno beco que se estendia nas suas costas. Seus pés pisavam nas poças enquanto o vento espalhava seu velho cabelo branco.
Os sons o confudiam, como estavam fazendo a dias, e a luz lhe sensibilizava os olhos, protegidos por lentes redondas de um óculos com armação marrom claro.
As escadas faziam um barulho engraçado, sempre faziam, aquele barulho o encomodava. Mas o que mais o encomodava era aquela sensação. Aquela angústia de não saber se aquilo é certo, masa falar que é errado também é hipocrisia.
Lá em cima o vento frio castigava sua péle cansada. Suas mãos tremiam dentro de seu sobre-tudo de couro cinza. A altura era grande, seu olhar fitava os carros, o chão que o chamava quinze andares abaixo. Sua respiração era forçada, com muita força. Aquele senhor ali parado, no alto de tudo aquilo, no alto de toda uma realidade, a dois passos do fim, a dois passos de algo tão misterioso como o começo de tudo isso. Ele acendeu um cigarro, deu duas tragadas e acabou esmagando o cigarro com o sapato preto, olhou para o céu, respirou fundo e deu um passo, ficando a beira de todos setenta e dois anos, suas mãos suadas sairam dos bolsos, deixando a mostra um revólver de metal escuro, com um tambor vazio. As velhas mãos abriram o tambor com esforço, a mão esquerda foia até o bolço e tirou de lá uma bala dourada, de ponta fina. O barulho de metal contra metal foi delicado, enquanto a bala preenchia um dos seis vazios no tambor do revólver. Uma roleta russa. Enquanto o tambor girava e fazia um barulho de uma roleta legitima:
- Sorte grande, sorte grande
O cano frio encostou a sua língua, ele sentiu o gosto do metal e sentiu seu dedo fazer pressão no gatilho, que dava pequenos estalinhos enquanto corria um direção a arma.
Sorte grande, sorte grande, sorte grande ...

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