Tuesday, November 28, 2006

Simplesmente marie: capitulo 4 - um prólogo do fim

Dois meses depois da noite de amor :

Durante dois meses Marie sobreviveu fazendo pequenos subornos a seu antigo chefe e recebia ajuda de Richar, seu novo namorado. Seu apartamento era mantido limpo, paece algo simples .... mas não para Marie, sua vida havia dado um giro incrível e sua cabeça estava ocupada apenas com a história que vivia naquele momento. Pena que a vida é uma caixinha de surpresas, e Marie felizmente ainda não sabia o que aconteceria dentro de algum tempo .... tempo esse que faria sua vida valer bem mais apenas, que faria dela uma verdadeira brincadeira sofredora ambulante. Mas enfim ..... vamos avançar dois meses no tempo e começar com toda a brincadeira de chegar no fim.


Marie estava deitada no sofá, que estava no lugar novo, Richard havia a ajudado a trocar a sala de lugar, conseguindo mais espaço livre. Deitada ela contemplava a janela que dava para a rua, enquanto o sol subia pelo prédio da frente e a luz começava a fugir daquele lugar, deixando apenas o som do feijão na pressão dentro da panela. Aqueles dois meses haviam sido os melhores momentos da vida de Marie, ela viveu coisas que nunca pensou em viver, tinha certeza que morreria feliz se tivesse um fulminante ataque do coração. Marie estava feliz, e é apenas isso que a fazia seguir em frente, caminhar em direção das malditas coisas que ela sabia que teria de viver, e ela sabia disso, não sabia como sofreria mas sabia que tinha muitas pedras no caminho.
O sol havia ido todo embora, agora apenas a escuridão tomava conta do lugar, a escuridão e o barulho da panela de pressão. Marie escutava seus vizinhos rindo, por mais que estivesse feliz Marie não rio dentro dos dois meses, pelo menos ela não se lembrava. Marie não era de rir, pelo menos ela nunca havia reparado que estava rindo, mas ela tem quase certeza que realmente nunca riu.
O telefone começou a tocar. Ela deixou que tocasse quatro vezes, para testar a insistência de quem estivesse na linha, até que se levantou e tirou o telefone da base:

- Alô ? Marie? – a voz de Richard se fazia perceptível.
- Oi Rich ..... por que esta me ligando? Por que não vem aqui em casa? Eu estou acabando de cozinhar feijão, podemos jantar aqui.
- Hoje não da Marie, eu estou fora da cidade e preciso te contar uma coisa – o silêncio se fez durante uns cinco segundos.
- Pois então conte Rich .... mas aonde você esta?
- Marie .... eu tenho aids, fiquei sabendo em um exame de rotina ontem pela manhã.
- Como assim Rich? Não estou entendendo, mas a quanto tempo?
- Pelos exames a mais ou menos dois anos Marie ...

Marie sabia que Rich continuava no telefone, mas parece que na sua cabeça um letreiro néon amarelo com verde limão piscava sem parar: AIDS ..... HIV ...... AIDS
Marie desligou o telefone, ela não sabe se desligou na cara de Rich, mas sabia que se houvesse feito tal coisa, ele teria entendido. Foi até a panela e parou a pressão do feijão.
Ela se deitou na cama e fechou os olhos ....

Thursday, November 16, 2006

Só depende de nós

Eu ainda estou pensando no quarto capítulo de "simplismente Marie" mas achei esse texto espetacular, fiquem agora com as palavras do maior cineasta da história ...


Só depende de nós...

"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem apoluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando odesperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.Tudo depende só de mim."

(Charles Chaplin)

Friday, November 10, 2006

Simplismente marie: capítulo 3 - e é assim que se começa o processo de morrer

OK, tudo muito perfeito, tudo muito bonito. Principalmente por que já eram sete da noite e Richard passaria dentro de dez ou vinte minutos para saírem.
Marie escuta a fina e aguda voz da campainha indicando haver alguém do lado de fora do apartamento, enquanto caminhava terminava de pentear os cabelos, jogou a escova no pequeno sofá de couro sintético preto e antes de abrir a porta parou na frente do espelho, vendo aquela linda garota de dezenove trajando uma blusa branca e uma calça jeans com bota. anos abriu a porta com um imenso sorriso que parecia brilhar mais que a lua:

- Vamos indo? – perguntou o rapaz. Ele vestia uma calça jeans escura, um all star vermelho (que combina com o cabelo) e uma camisa social branca com mangas altas.
- Sim, claro. Eu só me lembrei de uma coisa: prazer, meu nome é Marie – situação chata, ambos de faces coradas, e a mão de Marie no ar, esperando algum sinal de educação.
- Claro, desculpe. Me chamo Richard – ele deu um forte aperto de mão em Marie, que pareceu contente – onde vamos?
- Não sei, pensei que você tivesse me chamado para sair.
- É que eu não conheço ninguém na cidade, e isso inclui lugares legais para se ir sexta a noite.
- Bom, eu conheço um pub aqui perto, com um clima tropical.
- Certo, lugar perfeito. Vamos?

E os dois tomaram o elevador, envergonhados por culpa do silêncio que permaneceu firme e forte até a esquina do prédio.
Dentro do ar tudo era alegre, coqueiros de mentira enfeitavam o balcão principal, uma luz baixa tinha um tom amarelado e as mesas eram cor de prata, cada uma com seu cardápio em forma de dançaria de hula-hula havaiana. Eles pediram apenas uma bebida de começo e ficaram escutando o som da banda brasileira que tocava algo estranho, mas dane-se, a atenção de ambos era em outra coisa:

- E ai? De onde você é? – perguntou Marie, enquanto batia com as unhas pintadas de preto na mesa.
- Bom, eu nasci no Brasil, mas vim para cá com dois meses, morei numa cidade litorânea desde então e agora vim para a cidade grande fazer uma faculdade.
- Legal, faculdade de que?
- Arquitetura e paisagismo
- Hum ...
- E você?
- Eu trabalho, digo, trabalhava para pagar uma futura faculdade de marketing mas agora acho q não vai mais dar.
- Que pena – e a garçonete chega com as bebidas, geladas taças de Martine vermelho, cm limão e aquele simpático guarda sol feito de papel crepon verde.
- Tin tin
- Tin tin – Marie tiro o canudo de sua bebida e deu um gole grande, enquanto fitava a cara admirada de Richard.

Os dois gemiam. O apartamento de Marie estava uma desordem, no chão da sala uma blusa feminina atirada, junto de um par de all stars vermelho, no pequeno corredor até o quarto dois jeans um escuro e outro mais claro. A porta do quarto entre aberta deixava uma luz baixa invadir o corredor. E dali vinham os gemidos, algo apaixonado, gemidos de Richard e Marie, que se consumiam apaixonadamente na cama, parecendo se conhecer a séculos, talvez milênios. Aquele amor esbanjava desejo carnal. A prova do tesão ruía as barreiras das quatro paredes e residia já no corredor, com altas chances de se chegar até outro apartamento.

Sunday, November 05, 2006

Simplismente Marie : capítulo 2 - conheçendo a morte

Marie voltava para casa, depois de ter se demitido no trabalho. Maldito Johne's, pelo menos agora ela sabe que ele tem uma amante, e vai usar isso como arma para um futuro suborno, até por que, oras, as pessoas desempregadas também precisam comer.
Ela tocou a chave em cima da mesa, ainda com a loça suja. Ligou o grill ara esquentar e foi ao quarto trocar de roupa. Pequeno quarto, ela abriu a porta do roupeiro, o bastante para nao bater na cama, pegou uma blusa verde claro, tirou o uniforme (que ela nao vai devolver) e colocou a veste. Desamarrou os cabelos, oleósos, devido a gordura das maquinas de frituras e colocou um shorts de jeans. Foi até a cozinha - sala, colocou um pão para esquentar e preparou um café, pelo cheiro o café ja estava velho, mas que se dane, certa vez Marie ouviu falar que café não tinha novidade.
La em cima do prédio ela ascende um cigarro, dando pausas no trago para tomar goles do café, que tinha um gosto um pouquinho azedo. Ela começou a ver o mundo que a cercava, equanto respirava aquele ar quente de meio de rua, via os faróis rapidos lá em baixo, as buzinas a iritavam, e elas nao eram tão raras. Aquele vento quente que vinha detrás dela a dava uma sensação de liberdade, quem dera realmente fosse livre.
Sempre que tem tempo Marie vai até o terraço, e que tipo de desempregado tem algo para fazer?
Por que ela havia vindo ao mundo? Plano divino? se fosse, que Deus ingrato, o que ela havia feito? bom ... Marie nao sabe o que havia feito, e mal tinha ua visão do que queria fazer, ela apenas sabia que agora queria tomar café e fumar. Enquanto podia Marie apenas vivia, pensando na morte, pensando no significado da vida ... se bem que é idiota dar um sentido a vida, ele é tão flexivel quanto o humor dela mesma, ou seja, varia dependente de tudo que estiver afin de depender. E enquanto podia Marie reclamava do que bem entendesse. Olhando para tudo aquilo que a cerca, aqela realidade mórbida e instávelmente cruel, Marie sentiu um desejo de ficar fronte a Deus, e ficar o resto da eternidade mostrando a ele como nínguem no mundo é feliz, e como a pressa é a inimiga da perfeição.
O café acabou, sobrando apenas uma singela gota tão sózinha dentro da xícara, indo de la para ca naquele vidro verde escuro. E, enquanto os faróis iam ficando cada vez mais raros, Marie foi se ausentando do lugar, sabendo que, independente do que desejasse, do que sentisse ou de qual significado tivesse sua vida, ela iria sentir falta daquele momento, que ela tachou como o momento menos infeliz de sua estúpida vida.
Pela manhã, ela escutava barulho de muitos passos no corredor, e nao teve curiosidade para ver o que era, ja que saberia logo mais tarde quando fosse sair. Enquanto fazia o almoço ouviu o barulho da campainha sussurar junto do barulho do arroz fritando na panela. Quão surpresa ficou Marie ao descobrir que a campainha funcionava. Ao abrir a porta se deu de fronte a um homem que aparentava ter sua idade, de cabelos ruivos curtos, com olhos castanhos e roupas de esportista:
- Oi, eu sou seu novo vizinho, aqui do lado - ele indicou com o dedo indicador o apartamento - eu queria saber se vc tem uma xícara de açucar para me emprestar.
- Claro, só um momento - Marie fechou a porta na cara do rapaz, ficou corada e deu um suspiro (que tipo de deus é esse?) correu até o pote do açucare viu apenas um pouco do conteúdo (bom... que eu fique sem açucar, nao posso negar uma xícara para aquele rapaz), ela encheu a xícara (deu direitinho), foi até a porta e a abriu - Aqui.
- Muito obrigado, eu ainda estou organizando as coisas, e nao consigo fazer nada sem estar tomando café. Aqui esta - ele esticou uma xícara com algo que lembrava açucar.
- O que é isso?
- É uma tradição. è sinal de mau agouro nao dar uma xícara de sal em troca de uma xícara de arroz, ou vice-versa.
(Bendita crença, assim meu arroz vai ter sal)
- Aqui esta - eles se trocaram as xícaras - bom, até mais ver então.
- Até mais.
Ao fechar a porta Marie tremia, e quando chegou na sala ouviu mais uma vez aquele ruido da campainha (sera que é ele ... mas denovo?), ela abriu a porta:
- Ahn ... vc vai fazer algo hoje a noite? - perguntou o rapaz.
(Estou tendo alucinações? bom, tenho que me fazer de difícil)
- Eu preciso arrumar algumas coisas para um trabalho, hoje estou ocupada.
- E amanhã?
- Perfeito - ela sentiu que abriu um sorriso de orelha a orelha e tentou desfaze-lo logo em seguida.
Perfeito mesmo, agora ela tinha o que fazer mas ... eles não combinaram nada. (ele vai voltar para marcar algo) Logo depois Marie voltou para cudiar do almoço, agora tudo estava mais claro, um pouco menos triste.

Friday, November 03, 2006

Dez segundos

1
a arma diante de si mesmo
sera que vale a pena
2
durante um segundo, a vida toda
milhões de imagens, em centésimos de segundos
3
bang!
4
a água ainda quente
e agora vermelha, mais grossa
5
a taça de vinho
cheia
6
a cartela de comprimidos
vazia
7
o ar azedo
cheirando a pólvora
quente
8
a cera das velas,
espalhadas pelo chão
na borda da banheira
9
o barulho de mais nada
apenas um zunido
10
fim
Certo?

poesia by Bruno

nao se preocupem, estou bolnado o segundo capítulo de "simplismente Marie", jaja posto por aqui

abraços