Friday, November 10, 2006

Simplismente marie: capítulo 3 - e é assim que se começa o processo de morrer

OK, tudo muito perfeito, tudo muito bonito. Principalmente por que já eram sete da noite e Richard passaria dentro de dez ou vinte minutos para saírem.
Marie escuta a fina e aguda voz da campainha indicando haver alguém do lado de fora do apartamento, enquanto caminhava terminava de pentear os cabelos, jogou a escova no pequeno sofá de couro sintético preto e antes de abrir a porta parou na frente do espelho, vendo aquela linda garota de dezenove trajando uma blusa branca e uma calça jeans com bota. anos abriu a porta com um imenso sorriso que parecia brilhar mais que a lua:

- Vamos indo? – perguntou o rapaz. Ele vestia uma calça jeans escura, um all star vermelho (que combina com o cabelo) e uma camisa social branca com mangas altas.
- Sim, claro. Eu só me lembrei de uma coisa: prazer, meu nome é Marie – situação chata, ambos de faces coradas, e a mão de Marie no ar, esperando algum sinal de educação.
- Claro, desculpe. Me chamo Richard – ele deu um forte aperto de mão em Marie, que pareceu contente – onde vamos?
- Não sei, pensei que você tivesse me chamado para sair.
- É que eu não conheço ninguém na cidade, e isso inclui lugares legais para se ir sexta a noite.
- Bom, eu conheço um pub aqui perto, com um clima tropical.
- Certo, lugar perfeito. Vamos?

E os dois tomaram o elevador, envergonhados por culpa do silêncio que permaneceu firme e forte até a esquina do prédio.
Dentro do ar tudo era alegre, coqueiros de mentira enfeitavam o balcão principal, uma luz baixa tinha um tom amarelado e as mesas eram cor de prata, cada uma com seu cardápio em forma de dançaria de hula-hula havaiana. Eles pediram apenas uma bebida de começo e ficaram escutando o som da banda brasileira que tocava algo estranho, mas dane-se, a atenção de ambos era em outra coisa:

- E ai? De onde você é? – perguntou Marie, enquanto batia com as unhas pintadas de preto na mesa.
- Bom, eu nasci no Brasil, mas vim para cá com dois meses, morei numa cidade litorânea desde então e agora vim para a cidade grande fazer uma faculdade.
- Legal, faculdade de que?
- Arquitetura e paisagismo
- Hum ...
- E você?
- Eu trabalho, digo, trabalhava para pagar uma futura faculdade de marketing mas agora acho q não vai mais dar.
- Que pena – e a garçonete chega com as bebidas, geladas taças de Martine vermelho, cm limão e aquele simpático guarda sol feito de papel crepon verde.
- Tin tin
- Tin tin – Marie tiro o canudo de sua bebida e deu um gole grande, enquanto fitava a cara admirada de Richard.

Os dois gemiam. O apartamento de Marie estava uma desordem, no chão da sala uma blusa feminina atirada, junto de um par de all stars vermelho, no pequeno corredor até o quarto dois jeans um escuro e outro mais claro. A porta do quarto entre aberta deixava uma luz baixa invadir o corredor. E dali vinham os gemidos, algo apaixonado, gemidos de Richard e Marie, que se consumiam apaixonadamente na cama, parecendo se conhecer a séculos, talvez milênios. Aquele amor esbanjava desejo carnal. A prova do tesão ruía as barreiras das quatro paredes e residia já no corredor, com altas chances de se chegar até outro apartamento.

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