Wednesday, December 20, 2006

A Gênese de Um Imortal - prólogo

Enquanto caminhava pela floresta de gigantes, a procura de seu irmão, Minuthus observava as folhas caindo levemente até o colchão verde que se estendia no horizonte. Ele sabia que poderia fazer com que o tempo se repetisse eternamente para poder ficar ali observando aquela ocasião tão bela, mas ao longe ele ouvia passos apressados, vinha de trás de si, e ficava cada vez mais perto, seu róbe verde oliva se camuflava no chão e seu chapéu de abas largas escondia seu rosto moreno claro, de olhos verdes. No longe um vestido branco esvoaçava no ar, com um véu enorme dançando com o vestido, seguindo o ritmo do tecido de seda branco:

- Ola senhorita – em sinal de cavalheirismo Minuthus acena com o chapéu.
- Graças aos deuses, me ajude senhor, por pavor.
- Claro, mas esqueça o “senhor”.

Ela não notou mas as folhas haviam parado no ar, sem cair. E eles caminhavam sem fazer barulho, de mãos dadas. Ela olhava para trás, sempre preocupada se não os alcançariam:

- Milade, não há possibilidade nenhuma de ele nos alcançarem.
- Estavam correndo senhor, e estamos caminhando.
- Eles estão parados agora, não nos perseguem mais. E outra coisa: por favor esqueça que sou tão velho assim ta bom?
- Me desculpe. Onde estamos, o senhor sabe?
- Claro, eu vi essa floresta ser criada, meu irmão mora aqui – ele lançou um olhar a ela e sorriu, de olhos apertados.
- Você tem um ótimo senso de humor.
- Concordo – os continuaram caminhando até que a escuridão tomou conta do lugar

Wednesday, December 13, 2006

Aura



... Bem vindo a aura ...

Meu pai e eu já estávamos viajando a dias, acho que até mesmo meses, havíamos passado pela montanha de espelho e agora, no cume de uma montanha de verde esplendor, a copa das árvores da floresta de gigantes se estendiam pelo horizonte, tomando boa parte do céu para si e preenchendo a vista de uma grande mancha branca:

- Estamos viajando a tempo filho.
- Mas todo esse esforço terá uma recompensa certo?
- Claro rapaz! Fortuna, poder e conhecimento! Quem algum dia pensou em ter isso ao mesmo tempo apenas tocando em um amuleto.
- Ainda desconfio daquele elfo papai, mas caso seja mentira pelo menos estamos viajando juntos.
- Não me venha com ceticismo nessa altura da viajem, estamos quase chegando, e fique contente. Quero ver sua cara quando estivermos diante de tamanha coisa.
- Como assim “coisa”?
- Não existem palavras para definir tudo que podemos ter.
- Não só com isso papai .... esse mundo esta repleto de tesouros e aventuras.
- Eu sou a prova vida do que esta falando.

Papai estava certo. Ele tem quarenta e três anos e nunca vi mais jovem de espírito, talvez seja por isso que seja tão bem de saúde, uma vez um sábio disse que a idade física vem da idade psicológica. Meu pai esta fumando cachimbo, isso quer dizer que ficaremos aqui mais um tempo.
Ao nosso redor um mundo inteiro de dúvidas e governado por centenas de pessoas diferentes. Havíamos passado pela muralha dos anéis a uns cinco dias e lá vi a coisa mais incrível em toda minha vida, o nascimento de um feiticeiro e, o mais raro ainda, por puro incidente, dizem que muitas mulheres escolhem ter seus filhos em cima da linha dos anéis mas muito raros são aquelas que o tem acidentalmente, dizem que somente mulheres escolhidas tem esse privilégio e que essas crianças terão aptidão a magia. Aquela noite nunca mais me sairá da cabeça:

- Vamos indo?- indagou meu pai, enquanto juntava a espada do chão
- Mas você nem terminou o cachimbo.
- Termino no caminho. Vai chover dentro de umas cinco horas e teremos de estar abrigados.
- Certo, então vamos - e eu fechei o caderno em branco ...

Saturday, December 02, 2006

Simplesmente Marie: capitulo seis - Fim


Richard se suicidou, Marie soube por uma carta que ele deixara na sua caixa de correio. Ela sentiu pena dele quando soube, ela chegou a pensar que ele voltaria.
O resumo de sua vida foi triste, mais um ano e dois meses de vida, ficando cada vez pior. Ela conheceu o que mais temia conhecer, a tristeza. Que a acompanhou até um dia antes de sua morte, quando ela recebeu o perdão dela mesma.
Tenho quase certeza que Marie sabia que morreria alguns dias depois e tenho certeza também que ela ficou conformada e feliz. Acho que ela parou de se auto-mutilar psicologicamente por que sabia que chegou no limite da raça humana, ela sentiu pena de si mesma enquanto se olhava para o espelho nua, segundos antes de desmaiar no quarto, e teve a certeza que aquela seria a ultima imagem de si mesma, sabia que não teria vontade de se olhar novamente, o que realmente não aconteceu.


Em uma cama de hospital, Marie fechou os olhos para nunca mais abrir.

Simplesmente Marie: capitulo cinco - muito mais do que a paixão

Marie abriu os olhos e viu ao seu redor algo totalmente diferente, um mundo novo, pior do que vivia antes da declaração de Richard pelo telefone. Aquela mensagem ainda ecoava pela sua cabeça, suas mãos tremiam e sua respiração era ofegante. Ela sabia que precisava fazer o teste, mas sabia que tinha AIDS, e sabia que logo morreria, e isso a amedrontava bastante, porém ela sentia que a sua vontade de viver nunca foi tão grande.
Ela continuou vivendo, fez um teste de HIV para apenas ter certeza do seu fim. Marie começou a ganhar um dinheiro da família, desistiu dos remédios aos oito anos de tratamento e apenas esperava a morte, de um jeito sacrificante, apenas esperava que um dia ela batesse na sua porta e a levasse para algum lugar que ela ficou dias imaginando como seria. Logo depois das sete da noite ela sempre vai até o terraço do prédio para fumar e beber café enquanto cuida da cidade, um habito que ela adquiriu com o passar do tempo. Seu corpo já demonstrava sinais da doença e seu rosto já estava quase todo mudado. A solidão perseguiu Marie durante esses dois anos, foi sua melhor amiga e com ela Marie chorou milhares de vezes, o mais incrível é que para Marie a solidão tinha um rosto, um rosto que ela nunca teve coragem de olhar, mas que ela chegou a tocar.
Nunca mais falou com Richard, nunca mais se viram e nem se corresponderam. Mas é melhor assim, Marie não saberia o que fazer caso o encontrasse.


Marie estava no terraço, sentada no parapeito do prédio, olhando para avenida. Ela sentiu uma mão pegar na sua, uma mão magra, de pele bem branca:

- Não se vire ....
- Eu nunca pensei que você viria Rich.
- Eu também não, mas estou muito mal e decidi que você seria a última pessoa com quem gostaria de falar – ele apertou com carinho a mão de Marie.
- Teremos um ultimo abraço?
- Para que? Você não sente minha mão ?
- Vale mais que um abraço?
- Muito mais.
- Maior se for comparado com o sexo?
- Infinitamente maior. È uma toque que ambos de nós não tivemos dentro de dois anos.
- Entendo.

O dois ficaram mudos por mais meia hora, apenas uma de suas mãos se tocavam, mas aquele toque completava os dois, como nunca completou.

- Preciso ir.
- Eu sei.
- Até mais – a mão de Richard começou a sair do contato da Mão de Marie.
- Espera – ela segurou firme a mão magra do ex-namorado – até mais você disse?
- Pois é, me esqueci do meu estado .... bom, adeus Marie.
- Adeus Richard, e obrigado por vir.
Marie pegou a xícara e saiu logo que escutou a porta do terraço se fechar. Desceu até seu apartamento e fez suas malas, arrumando tudo com uma pressa enorme. Colocou a poltrona na frente da janela e deixou o vento entrar no seu apartamento, como não entrava em dois anos, assim como a luz. Aquilo a completou por completo, e a solidão pulou pela janela, em direção do asfalto, pronta para morrer.