Simplesmente Marie: capitulo cinco - muito mais do que a paixão
Marie abriu os olhos e viu ao seu redor algo totalmente diferente, um mundo novo, pior do que vivia antes da declaração de Richard pelo telefone. Aquela mensagem ainda ecoava pela sua cabeça, suas mãos tremiam e sua respiração era ofegante. Ela sabia que precisava fazer o teste, mas sabia que tinha AIDS, e sabia que logo morreria, e isso a amedrontava bastante, porém ela sentia que a sua vontade de viver nunca foi tão grande.
Ela continuou vivendo, fez um teste de HIV para apenas ter certeza do seu fim. Marie começou a ganhar um dinheiro da família, desistiu dos remédios aos oito anos de tratamento e apenas esperava a morte, de um jeito sacrificante, apenas esperava que um dia ela batesse na sua porta e a levasse para algum lugar que ela ficou dias imaginando como seria. Logo depois das sete da noite ela sempre vai até o terraço do prédio para fumar e beber café enquanto cuida da cidade, um habito que ela adquiriu com o passar do tempo. Seu corpo já demonstrava sinais da doença e seu rosto já estava quase todo mudado. A solidão perseguiu Marie durante esses dois anos, foi sua melhor amiga e com ela Marie chorou milhares de vezes, o mais incrível é que para Marie a solidão tinha um rosto, um rosto que ela nunca teve coragem de olhar, mas que ela chegou a tocar.
Nunca mais falou com Richard, nunca mais se viram e nem se corresponderam. Mas é melhor assim, Marie não saberia o que fazer caso o encontrasse.
Marie estava no terraço, sentada no parapeito do prédio, olhando para avenida. Ela sentiu uma mão pegar na sua, uma mão magra, de pele bem branca:
- Não se vire ....
- Eu nunca pensei que você viria Rich.
- Eu também não, mas estou muito mal e decidi que você seria a última pessoa com quem gostaria de falar – ele apertou com carinho a mão de Marie.
- Teremos um ultimo abraço?
- Para que? Você não sente minha mão ?
- Vale mais que um abraço?
- Muito mais.
- Maior se for comparado com o sexo?
- Infinitamente maior. È uma toque que ambos de nós não tivemos dentro de dois anos.
- Entendo.
O dois ficaram mudos por mais meia hora, apenas uma de suas mãos se tocavam, mas aquele toque completava os dois, como nunca completou.
- Preciso ir.
- Eu sei.
- Até mais – a mão de Richard começou a sair do contato da Mão de Marie.
- Espera – ela segurou firme a mão magra do ex-namorado – até mais você disse?
- Pois é, me esqueci do meu estado .... bom, adeus Marie.
- Adeus Richard, e obrigado por vir.
Marie pegou a xícara e saiu logo que escutou a porta do terraço se fechar. Desceu até seu apartamento e fez suas malas, arrumando tudo com uma pressa enorme. Colocou a poltrona na frente da janela e deixou o vento entrar no seu apartamento, como não entrava em dois anos, assim como a luz. Aquilo a completou por completo, e a solidão pulou pela janela, em direção do asfalto, pronta para morrer.

0 Comments:
Post a Comment
Subscribe to Post Comments [Atom]
<< Home