Ampulheta vazia
A ampulheta de vidro negro tinha dento dela o resto de seus grãos brilhantes,
O brilho falso de algo bem maior,
Que pega fogo, jogando suas labaredas dentro do cristal cica;
Os grãos que caem formam uma chuva de prata, digno de pena;
Os grãos viram, vão e vem, de lá para cá,
Eles se contraem e se dissipam, como se explodissem,
Feitos de pó, vindos do pó, sendo o pó;
Vivendo como parte de algo bem maior,
Fazendo parte dos plahos que os ponteiros escolhem,
Construindo algo que não nos pertence,
Sucumbindo a desgraça, sucumbindo ao criador, sucumbindo ao pó;
Viajando entre os grãos cincilantes,
Descontente com a insignificância de alguns e o poder de outros;
Viajando como miseráveis mochileiros pela ampulheta,
Só conseguindo ver o que os olhos enxergam,
Sem ver o que segura o vidro,
Sem ver o que sustenta o tempo,
Com olhos desfocados para entender o criador dos ponteiros,
Entender seu sentido,
Suas incertezas e ignorâncias;
Seus vícios são segredos,
E seus prazeres são vícios.
Como um plebeu ou uma plebéia;
Como todos nós, como a grande força;
Como a grande incerteza da racionalidade ou do humanismo;
Os grãos chegam ao final,
Deixando a esperança para aqueles que vêm atrás,
E o último passou;
Um giro
E os grãos de brilho falso voltam a cair
Fazendo chover prata pobre no universo,
Começando tudo denovo
E denovo
...
...
E denovo
...
...

2 Comments:
E muito maktub isso lembrei logo ^^
....Estou começando a achar q não é vc que escreve isso........
( eu sou o ser critico do blog =D ou seja a unica q critica)
=***
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