Saturday, January 13, 2007

A gênese de um imortal: capítulo dois - a aliança entre titãs

15 anos atrás

- Conseguimos Tomas – um homem de vestes de couro vermelho segurava com esforço um ovo de grandes proporções.
- Sim, finalmente conseguimos Hior, agora podemos ficar ricos – um anão robusto de cabeça raspada e uma barba espessa fazia um sinal de positivo com o dedão.
- Aonde vamos agora? Onde podemos conseguir um bom preço por essa raridade?
- Bom, vamos ao mercado negro. Não é todo dia que se vê dois homens corajosos o bastante para roubar um ovo de dragão e sobreviver para poder vendê-lo.
- Vamos logo antes que a mãe volte.
- Vamos, vamos

Uma pedra acertou o anão em cheio na cabeça:

- Alguém esta nos vendo.
- Por que Tomas?
- Me acertaram uma pedra. Quem esta ai? – a voz do anão ecoou forte.
- SShhh, quer chamar a atenção da mãe deste ovo? – quando terminou de falar Hior levou uma pedrada na testa – Ai, droga, da onde veio?
- Daqui seus idiotas – uma voz de criança veio da copa de uma árvore ali perto. Um menino de aparentemente doze anos mirava uma funda na direção dos dois, agora podia percebê-lo pelos vãos nos galhos – larguem esse ovo e vão embora.
- Seu moleque desgraçado – o anão catou uma pedra do chão e tocou em direção ao garoto, mas a pedra passou longe – desça já daí moleque, você pode se machucar – e outra pedra o atingiu, agora no peito – Ai !!!
- Já disse, larguem o ovo no chão e vão embora, é o último aviso.
- Não vamos largar nada moleque desgraçado, esse ovo é nosso – a voz fina de Hior era irritante.
- Cale a boca – gritou o garoto
- Cale a boca você – Hior gritou mais alto que o garoto e levou uma pedrada na bochecha que chegou a fazer um pequeno corte – desgraçado, se você tem coragem desça aqui e lute conosco.
- Pelo bem de vocês estou testando meu poder de intimidação. Larguem o ovo e vão embora.
- Pois não esta funcionando moleque – gritou Tomas.

O garoto desceu da árvore. Tinha uma roupa maltrapilha suja, uma bermuda de pano velho, um calçado de couro batido e um cabelo na altura dos ombros. Ele caminhou até ficar ainda um pouco afastado dos dois maiores:

- Me dê o ovo – os dois homens se olharam e, juntos, deram um sorriso meio sarcástico.
- Toma garoto – Hior tocou o ovo para o garoto.
- Peguei – ele pegou o ovo quando estava abaixo da sua cintura e viu o anão correr com um machado em sua direção.
- Pegue isso agora moleque – o fio do machado fazia um zunido no ar, indo em direção do pobre rapaz.
- Idiota – Antes que o machado o atingisse ele tocou o ovo para cima e desviou o corte para a esquerda com a palma da mão, fazendo com que o machado cravasse no chão – toma isso! – com a mão fechada o garoto acertou o nariz do anão em cheio, fazendo sangrar.
- Meu nariz ! meu nariz ! - o anão corrida em círculos.
- Seu moleque, eu vou te esganar – Hior ia com um punhal para cima dele quando tropeçou a poucos metros do garotinho.
- Hya – ele chutou com toda força a cara do homem enquanto estava caindo, chutou tão forte que a parte de cima de seu pé latejou de dor.

Hior estava desmaiado e Tomas ajoelhado segurando o nariz enquanto o sangue escorria por entre seus dedos:

- Vá embora e te concedo perdão – Tomas se levantou e saiu dali correndo.

Cuidadosamente o garoto pegou o ovo, peso que ele ma suportava, e foi caminhando cuidadosamente para dentro da caverna da qual os dois homens haviam saído. A caverna era enorme e tinha um túnel que levava a esquerda, onde logo em seguida viu uma cratera cheia de galhos secos e folhas de árvores grandes. Quando colocou no lugar ouviu grades passos atrás de si:

- Quem você é ladrãozinho? – Uma dragão enorme preto estava de pé na sua frente, com a cabeça quase batendo no teto. Tinha uma voz feminina.
- Desculpe, mas é que eu vi dois homens roubarem este ovo e imaginei que fosse da senhora.
- Pode me provar isso?
- Não.
- Não precisa, vejo que o que diz é verdade.
- Obrigado por acreditar em mim.
- Você é muito corajoso rapazinho – a dragoa passou per ele e se deitou no ninho.
- Obrigado – ele falava de cabeça baixa.
- Graças a você meu ovo esta aqui de volta, como posso te retribuir pela sua coragem?
- Não precisa me agradecer de maneira nenhuma. Com licença, preciso ir embora.
- Antes que vá embora, por mais que não deseje ser recompensado, pode pegar a quantia que quiser em dinheiro que te por baixo daquela pedra – ela indicou uma pedra pontuda que realmente parecia tampar algo – e outra coisa, volte aqui em cinco meses, até la minha cria terá nascido e quero que você veja os frutos de sua honra e honestidade.
- Sim senhora, retornarei então em cinco meses – ele passou reto pelo dinheiro e se dirigiu, em passos rápidos, para a saída da caverna.

--- Cinco anos e dois meses depois ---

Aquele mesmo menino se dirigia a cratera, seu cabelo havia crescido, chegando a altura das costas. Tinha uma capa branca cobrindo seu corpo e caminhava rápido. Ao chegar na boca da caverna ele reparou como ela ficara menor, ou seria ele que ficara maior? Diminuiu bem a velocidade do passo e adentrou a caverna com cautela. Um choro vinha de lá, um choro calado mergulhado em tristeza, ele começou a correr até que chegou no ninho da dragoa. Um corpo de uma mulher de seus trinta anos estava no chão, com graves ferimentos, e em cima dela um rapaz jovem, de doze anos, com suas asas membranosas estendidas :

- Mamãe ! abra os olhos mamãe ! – aquele rapazinho chorava em cima do corpo da mãe.
- Com licença – o rapaz se fez chamar atenção.
- Quem é você – o garotinho estendeu as asas e se virou rapidamente – você, você se parece com ele.
- Com quem? – o menino começou a se aproximar do nosso herói e a rodeá-lo.
- Você é o menino que me salvou uma vez?
- Creio que sim, se aquela ali for sua verdadeira mãe e ela for quem eu penso.
- Sim sim. Em alguns momentos pensei que você fosse fruto da imaginação de minha mãe.
- O que houve com ela? – o menino passou a mão no rosto para enxugar as lágrimas.
- Dois dragões vieram até aqui e a mataram – o rapazinho se grudou na capa branca e começou a chorar novamente – eu não vi direito, ela me escondeu em uma pedra com um fundo oco e eu só escutei o rugido dela na beira da morte.
- Eu demorei para voltar mas imaginaria que a visse viva. Isso significa algo garoto, os deuses me mandaram com um propósito e eu sei qual é. Você reconheceria os dragões que mataram sua mãe?
- Sim. E ouvi eles dizerem que voltariam para casa, aproveitariam e passariam na “taverna do medonho”.
- Temos pistas, já é o bastante. Só descansaremos quando vingarmos sua mãe garoto – ele deu duas palmadas carinhosas na cabeça do menino.

Ele pegou o corpo da mulher, que parecia ter um profundo corte no peito, e o levou para a rua. A enrolou em sua capa e cavou um buraco com as mãos, sem deixar que o garotinho o ajudasse. Eles a sepultaram e rezaram pelo seu nome. Desejaram que a Aura fizesse de seu corpo parte da justiça e saíram caminhando dali, em direção a dois grandes dragões que, um ano e dois meses depois, acabariam sendo vitimas da justiça andarilha, daquele que alguns anos mais tarde seria conhecido como “a balança dos pecados”

4 Comments:

At 9:11 PM , Blogger munny said...

às vezes demora pra caírem as minhas fichas quando uma história não segue uma ordem cronológica, mas mesmo assim elas são minhas favoritas.
adoreeeei. principalmente o guri em cima da árvore tocando pedras, achei muito poético erguer a cabeça e encontrá-lo lá.

:)

continue!

 
At 4:59 PM , Anonymous Anonymous said...

Parabens B1, vc escreve super bem amei teus textos...

Continue apostando em seus texos prq eles son mtu bons e realistas **falando do post sobre crueldade com animais**!


Parabens msm!!!


kisses

 
At 6:18 PM , Blogger Unknown said...

Bruno , não vou dizer que vc escreve bem...tcs,tcs...nunca mais....
POr que eu quero ser escritora, e como futura escritora, digo que vc é um forte concorrente, e as suas histórias humilham as minhas que mau sairam do papel para o computador...eu detesto isso bruno U_u So gosto mesmo do Oliver ^^

 
At 7:00 PM , Anonymous Anonymous said...

Ai ai muno pq ela tinha q morrer buaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
quero ver onde vai chegar essa história,conto sei la!!!
Masta muito bom continua tendo opoder d q possamos imaginar os protagonistas e o cenário!!!!

 

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