Thursday, January 11, 2007

A gênese de um imortal - os valores de algo acima de tudo

Gallian é, com certeza, um dos lugares mais frio de todo o mundo. Suas montanhas enormes são tapadas pela neve o ano todo. Suas aldeias são formadas de cabanas de tijolos bem reforçadas e todas com suas lareiras para não serem abatidos pelo constante frio que perpetua na região. A nossa frente tínhamos uma estrada rodeada por pinheiros lotados de branco, a neve vinha até a altura dos joelhos e a dificuldade de se caminhar era tamanha que em alguns momentos Cenis me carregou nas costas. A estrada era um tanto quanto calma, não encontramos inimizades durante doze dias e o alimento era escasso, baseado em carne seca, que em alguns momentos comemos crua, e chá de folhas de pinheiro. O fogo era raro e campos para repousar ainda mais, passamos dias difíceis indo em direção de uma cidade ao leste daquela região, onde pistas indicavam um amigo próximo de Minuthus:

- Maciel, aquilo lá ao longe é fumaça? – Cenis apontava para o alto, onde realmente havia um fio de fumaça preta bem fino.
- Tem tudo para ser senhor.
- Vamos até lá ver o que se passa e se for uma estalagem repousaremos lá até amanha ao amanhecer.
- Sim senhor – Continuamos caminhando, mudando nossa rota e adentrando a floresta de pinheiros.

Mais alguns quinze minutos de caminhada e chegamos a um vilarejo pequeno, com, no máximo, trinta casas e dois prédios maiores. No primeiro prédio que vimos havia uma placa de madeira em que se lia “taverna e estalagem” em alto relevo. Os vidros estavam enfumaçados e de fora podia se ver uma grande luminosidade vinda do recinto. Adentramos chamando a atenção, pois ninguém esperava receber clientela naquele começo de noite. Haviam uma dezena de mesas redondas vazias e, em um canto da taverna, um grupo de vestes verde-oliva conversavam e riam alto, fazendo brindes de chope e contavam piadas. Pegamos uma mesa em sentido oposto ao daqueles homens e nos sentamos, tirando as bagagens das costas e as repousando em uma mesa vazia ao lado da nossa:

- Boa noite senhores, no que posso ajudá-los? – um homem robusto, alto, de cabelos bagunçados e um sorriso no rosto falava conosco enquanto batida com um lápis em um pequeno bloco de papel.
- Boa noite cavalheiro, o que você vai querer Maciel?
- Por hora nada senhor, estou sem fome.
- Bom, então me veja uma jarra de vinho tinto por enquanto.
- Já trago, com licença senhores.
Cenis degustava o vinho enquanto nossa conversa era atrapalhada pelos gritos dos homens de verde. Momentos depois a taverna inteira escutou um deles subir na mesa, no seu peito havia uma ampulheta vazia, e erguer seu caneco de vidro grosso:

- Um brinde senhores ... um brinde ao ser mais inteligente e mais poderoso de toda essa existência medíocre, um brinde ao senhor dos tempos .... um brinde a Minuthus, supremo Deus do tempo, e que seu nome seja ouvido e temido por toda extensão dessa Aura.

O que se ouviu depois não foi as canelas se tilintarem, e sim o tapa com as duas mãos que Cenis deu na mesa ao se levantar, derrubando o jarro de vinho no chão:

- Supremo o que? Você tem coragem de dizer que um imortal de meia tigela é supremo? Ele não vale nem a merda que eu cago rapaz

Os homens se levantaram, e um deles, o que estava em cima da mesa vinha a frente:

- Retire o que disse imediatamente homem .... senão não respondo pelos atos de meus colegas.
- Não tenho medo de vocês, na verdade não tenho medo nem dessa supremacia que vocês dizem. Ele não é um Deus, não tem o orgulho de um Deus, não tem as virtudes e a moral de um verdadeiro Deus – um homem tentou tomar a frente com espada em mãos mas foi impedido pelo homem da mesa.
- Qual é teu nome? Quem és tu? Para acusar assim um ser supremo você deve ter pelo menos um motivo ou uma prova, não tem?
- Isso não é da sua conta rapaz.
- Por que me chama de rapaz? Deve ser mais novo que eu – Cenis riu alto e logo depois retomou a compostura.
- Você nunca adivinharia minha idade rapaz. E antes que perca minha paciência com meras ovelinhas do tempo por que vocês não abandonam esse recinto tão confortável e vão viver suas alienadas vidas atrás de um ser que me dá vergonha apenas de saber que existe ?
- Se eu fosse você dobrava a língua para falar conosco homem. Somos a guarda suprema de Minuthus, somos seus filhos mais próximos, somos os guardiões de seu nome, os detentores de um fagulho de seu poder.
- É estranho você me dizer que é filho dele, não que eu duvide, por que não tenho a mínima duvida de que ele seja capaz de gerar um filho e mandar matar sua amante para esconder os vestígios do que aconteceu, mas você deve ter o sangue de um imortal correndo nas suas veias então.
- Por que fala coisas tão sem sentido?
- Por que eu carrego o sangue de um imortal – Os homens se olharam e gargalharam. – Se duvidam, por que simplesmente não pedem uma prova?
- Então esta certo senhor doido varrido, você pode provar que tem o sangue de um imortal nas veias?

Eu já havia visto aquela cena. Cenis pegou um punhal de prata que carrega no cinto e fechou a mão na lamina, e quando viu um pequeno rio de sangue escorrer pelo canto da mão puxou a mão com violência, para que fizesse um corte maior. Os homens o observavam com cara de espanto. E viram que logo depois os pingos de sangue do chão voltaram, como se o tempo voltasse no ferimento, até que o buraco se fechou, deixando a palma da mão de Cenis sem vestígios de sangue.
Para não parecer vencido, o hoemem que subira na mesa deu um passo a frente:

- Me prove que isso não é magia.
- Não posso te provar, até por que isso é magia.
- Então esta explicado seu truque, só não sabia que você seria tão idiota a ponto de você mesmo me contar como fez aquilo.
- E o que você acha que seu Deus sujo sabe fazer? Você acha que a maneira como ele controla o tempo não é magia? Mas não entremos em uma discussão sem sentido, só estou pedindo que se retirem daqui imediatamente antes que eu o faça a força. Aproveitem e ponham fogo em suas vestes imundas e esqueçam esse ser repugnante, indigno da existência, aprendam que um Deus tem um valor, tem princípios bons e honestos, os que são desprovidos de tal virtude são demônios da pior laia.
- Não vou suportar mais insultos, não tem o direito de falar assim de um Deus, você devia temer a ira de um ser tão alto, e se não teme, temerá a ira de seus servos.
- Você mesmo se julga um servo, que patético, nem mesmo você merece continuar a viver, mas não serei eu que vou te matar, será sua ignorância.
- Cinco minutos, te espero em cinco minutos na rua, não quero sujar esta taverna com o sangue de alguém tão imundo como você – Cenis virou as costas, pegou sua espada na mesa e se dirigia até a porta.
- Vale a pena senhor? – eu lhe perguntei – realmente vale a pena?
- Maciel, aprenda uma coisa: tudo que vem dele me da raiva. Você já devia saber disso.
- Mas senhor
- Sem “mas” Maciel. Peça outra jarra de vinho para mim, e já peça um frango assado com salada verde, eu acho que eles tem dinheiro para bancar um jantar nosso – Cenis sorriu, ele sempre tem essa mania, essa mania mercenária de ser. Certamente ele só mataria algum deles se houvesse necessidade, mas faria questão de roubar-lhes até a última moeda de Zeni que carregassem.
Cenis tirou o sobretudo pesado que o cobria e o atirou no chão, tirou a cota de malha do torso e ficou nu na parte de cima do corpo. Desembainhou a espada, uma espada enorme, de lâmina preta, com algumas gotas de sangue escorrendo suavemente por ela, até chegarem na base da lâmina, que era dourada e, fixa a ela, duas gemas, uma preta e outra branca, a empunhadura era dourada e na ponta uma gema cinza caro. A espada botava medo nas pessoas, mas não pareceu surpreender os homens de Minuthus:

- Sou admirador da honra na hora de uma luta, acho desonesto lutar em desvantagem numérica então sugiro – antes que pudesse terminar de falar todos os homens o cercaram, fazendo uma roda ao redor do alvo – bom, se vocês não se importam então tudo bem.

Cenis ficou parado e um deles deu o primeiro golpe, com uma espada de duas mãos com uma amina grossa, direto nas costelas de Cenis, que defendeu com a espada, segurada com apenas uma mão. Atrás dele ele sabia haver um arco e de repente ouviu o barulho de algo rasgando o ar atrás de si, Cenis pulou tão alto que deu um mortal de costas no ar, conseguindo ver a flecha que passou a um palmo de seu rosto e acertou a testa de um dos homens que estava reto a ela. Os homens apenas fecharam a roda e pareceram não der importância com o corpo inerte do companheiro:

- Além de fracos desprezam a importância de uma vida, vocês não valem a pena mesmo.

Dois homens avançaram em sua direção segurando uma espada de lâmina fina e curta, eles vinham pelo lado e Cenis pulou para frente, fincou a espada no chão e deu cotoveladas para trás, acertando em cheio o nariz de um e o pescoço de outro, caindo desmaiados no chão:

- Próximos – gritou Cenis, estampando em seu rosto um sorriso largo, deixando a vista seus dentes meio amarelados.

Na sua frente um homem com um martelo militar se adiantou e quando foi atacá-lo sentiu um puxão em seus cabelos e teve de recuar dois passos para trás, ficando inclinado. Viu sair de seu peito uma lâmina ensangüentada, de porte largo, com corte perfeito:

- Acabou a brincadeira idiota – era a voz daquele homem robusto que subira na mesa da taverna.
- Tem razão, estou começando a sentir que vou suar.

A lâmina girou dentro dele, o fez sentir seus músculos repuxarem, ele gritou de dor enquanto suas pupilas dilatavam. Seu coração, estava perto daquele lugar, ele podia sentir a lâmina de metal frio quase encostar naquele lugar. Ele sentiu um vazio tomando conta do buraco do corte e viu a lâmina encolhendo em direção ao seu torso, um forte impulso de sangue jorrou para fora do corte quando a lâmina toda saiu, suas pernas tremiam e sentia pouca força nas mãos, de repente, ela primeira vez, sentiu seu corpo cair no chão, conseqüência de um corte:

- E agora homem, se levante e mostre essa força de um imortal – O homem se abaixou e falava baixo perto de seu rosto, tinha um mau hálito de cerveja – fale homem, fale por que tombou em combate, nenhum Deus jamais caiu em combate – o Homem o puxou pelos cabelos do chão e deixou sua cabeça cair na neve novamente.

Duas flechas saíram de algum lugar e acertaram dois clérigos dali, um no braço e outro no coração:

- Saia de perto do corpo dele, senão não terei piedade de tirar tua vida – Eu estava no telhado da taverna, consegui chegar lá a tempo quando vi o golpe que deram em Cenis. Agora mantinha uma flecha mirada na cabeça do líder deles – Afaste-se dele e sua vida será poupada, já conseguiram o que queriam, agora saiam daí.
- Por que eu daria ouvidos a um moleque que ainda nem saiu das fraldas?
- Você que pediu – Apesar de ter dezenove anos eu realmente aparentava ter menos, aparentava os quinze. Mirei para a esquerda e atirei uma flecha na testa de um elfo elegante que também me apontava um arco. Quando a flecha o acertou sua flecha disparou cegamente para trás de mim, e ele caiu no chão, certamente morto – Não pouparei outras vidas se não recuar.

O homem olhou ara os outros companheiros que pareciam estar com um pouco de medo agora. Ele apenas se virou e deixou sua capa passar pelo rosto de Cenis:

- Vamos embora. A justiça já foi feita.
- É isso que você chama de justiça? – perguntei
- Por que não seria?
- Quer dizer que seu eu matar a todos vocês por terem ferido meu amigo eu terei feito justiça? Vocês o atacam por que o seu orgulho estúpido foi ferido e me diz que isso é justiça?
- Ele apenas teve o castigo que merecia – aquilo me ferveu o sangue, Cenis nunca fez algo para ser castigado, Cenis nunca matou alguém se não fosse para poder continuar a viver, era o homem mais correto da terra, apesar de mercenário.

Eles deram as costas e, por mais que tivesse vontade, e mira, para fazê-lo ficar aleijado de uma perna, decidi não fazer por que sabia que de nada adiantaria, apenas um pouco mais de ódio e vontades de vingança.
Desci pelo telhado e fui até o corpo de Cenis. Seu sangue já havia voltado para seu corpo mas ainda estava desacordado, mas por que? Ele sempre melhorava assim que o ferimento estancasse. Com esforço consegui carregá-lo para dentro da taverna na frente do fogo para que se esquentasse, já que seu corpo estava gelado, e por cima dele coloquei seu sobretudo de pele de urso.

Se passaram dois dias e Cenis não acordou. Decidi levá-lo ao mago Gariar, um grande amigo nosso que sempre cuidava de Cenis quando estava por perto. Giriar também tem um ódio de Minuthus por que certa vez o Deus destruiu seu laboratório quando soube que o mago fazia experiências com o tempo.
Na rua uma nevasca fraca caia e chão estava tomado de neve, estava perfeito. Desenhei aqueles círculos, esperando que estivessem certos e entrei na luminosidade que apareceu assim que completei o desenho:

- Parte do laço, me ouça. Depois de um pacto feito, nada pode ser desfeito. Com honra você é capaz de cumprir seus deveres e favores. Vinde a nós .... dragão Holocausto.

Uma grande quantia de vento começou a soprar no lugar e de repente, dos céus, aparecia um dragão negro, enorme de dar medo. Aquele era Holocausto, um velho parceiro e amigo de Cenis, e meu conhecido, pois ele não confia muito em mortais humanos, os acha traiçoeiros:

- Vim rápido por que você me chamou pirralho. Quer dizer que Cenis não estava em condições de me chamar.
- Exatamente. Ele tombou em batalha, esta desacordado mas respirando.
- A quanto tempo ele esta assim?
- Dois dias.
- Você deixou que se passasse dois dias para me chamar seu idiota?
- Pensei que ele pudesse se recuperar.
- Você não te que pensar nem achar nada. Você tem apenas que me chamar se acontecer algo de ruim.
- Não fale assim comigo seu idiota – Holocausto tomara a sua forma humana. Um homem magro de vestes brancas e uma capa pesada preta, com seus chifres saindo da testa e suas asas membranosas saindo da capa.
- Quem você acha que é para falar nesse tom comigo? Esqueceu quem eu sou?
- Sei muito bem quem você é, e por isso que estou falando assim com você. Não se esqueça que minhas atitudes dependem da sua, seu dragão velho.
- Não vou te matar por que sei a consideração que Cenis tem a você, mas acho melhor você não falar mais nada senão vou esquecer de tudo e vou arrancar sua cabeça fora.
- Só por que você tem dezenas de anos a mais que eu acha que sou inferior a você? Que estúpido.
- Vamos parar por aqui antes que eu perca minha paciência eu idiota.
- Vou parar mesmo, antes que eu seja obrigado a recusar sua ajuda.
- Até parece que se você não quiser Cenis não vai comigo ver o velho Gariar.
- Quer experimentar?
- Você esta duvidando de meu poder rapazinho? – ele me fitou nos olhos e eu respondi com um olhar apavorantemente igual – vamos ver se eu não tiro ele daqui então – Holocausto correu em direção ao corpo de Cenis deitado para pegá-lo rápido.
- Não vai adiantar Holocausto – coloquei a mão no bolso e tirei uma pequena varinha feita de orvalho seco, com desenhos esculpidos em sua extensão – bloqueio .... em .... cem pés – aquela luz azul formou um casulo ao redor da taverna e mais ninguém poderia passar por ali.
- Você acha que isso vai me trancar aqui dentro? – Holocausto caminhava em direção a saída carregando o corpo de Cenis no colo e, quando passou pela barreira, se viu entrando na taverna novamente – Retire isso garoto.
- Após um pedido de desculpas terei um imenso prazer em ajudar.
- Retire isso agora garoto, e se contente com sua cabeça no lugar.
- Peça desculpas, e se você me matar saiba que a maia nunca mais será dissipada.

Por pedidos de Cenis não vou continuar a relatar o que aconteceu logo depois daqui para não envergonhar Holocausto. Passados dez minutos:

- Suba e segure Cenis, vou voar o mais rápido possível.
- Você sabe que fico enjoado quando voa muito rápido.
- Quem disse que estou preocupado com você?
- Da próxima vez vou pensar duas vezes antes de cancelar os efeitos de uma magia.
- Vamos logo – Holocausto subiu bem alto e começou o vôo, viajamos extremamente rápidos e chegamos em nosso destino em, no máximo, trinta minutos.

3 Comments:

At 9:06 PM , Blogger munny said...

nossa. não parece ter tantas páginas do Word aqui XD

adoreeeei muno, e olha que eu não curto muito Conto. mas muuito bom msm, história boa, criativa, enfim, vê se continua hein!

bjs

 
At 6:25 PM , Anonymous Anonymous said...

Nossa muito bom lendo e imaginando as cenas e os personagens, ate parece q toassistindo um filmeXD
parabens *clap,clap*

 
At 9:02 AM , Anonymous Anonymous said...

Good for people to know.

 

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