Monday, May 28, 2007

Instante chamado ninho.

Os sofás interligados;
As venezianas entre-abertas,
Horas mostrando a realidade crua e nua,
Horas mostrando apenas sua forma exterior;
O cobertor cobrindo os corpos,
Aquecendo os sentimentos;
A pequena árvore de fibra ótica,
Girando,
Não iluminava,
Apenas enfeitava,
Clamando por atenção;
A ponta dos dedos acariciavam a face,
O cheiro dos cabelos,
Os beijos aconchegantes;
Tudo fazendo parte de um só lugar,
De um só momento;
Todos sendo o que tem medo de ser,
Fora das quatro paredes,
Todos sendo fortes,
Todos sendo amados;
Em um só instante,
Instante chamado ninho.

Tuesday, May 22, 2007

As vezes



Olhar para o nada as vezes é se deparar com você mesmo;
Minhas mãos estão calejadas e minha voz cansada,
Meus olhos são sensíveis a luz e eles me obrigam a olhar para o sol;
Os caminhos parecem se entrelaçar feito sombras,
E as direções continuam sendo sempre as mesmas;
Sómente as sombrar e algo mais, mas tudo claro;
Talvez muitas vezes pensamos no reflexo que nos atinge,
Talvez muitas vezes nem nos olhamos direito,
Afim de não encontrar o que se quer;
As multidões;
As sacadas e suas plantas;
As rodovias;
As paradas de ônibus lotadas;
Olhares tristes e cansados,
Rostos suados,
Bocas secas;
E tudo o mais,
Lembrando que ser normal nada mais é do que continuar tudo igual;
Falsos profetas,
Buzinas,
Deus,
Gritos;
Como querer ser normal ?
Como se entregar de graça a desgraça?
Como ver e não entender?
Impossível;
Simplesmente inadimissível.