Saturday, June 02, 2007

O destino de D. R. Sebastian

Capítulo um: Gritos e dor.
A cabeça latejava, enquanto seus olhos vendados nada enxergavam. Na boca um pano de aspecto áspero com gosto de sangue. Um cheiro de cabelo queimado impregnava o lugar que permanecia na penumbra. "onde estou?" pensou. Um homem de vinte e tantos anos, com a barba a fazer, cabelos curtos negros agora molhados. Pés e mãos amarradas em um só nó, com a cabeça pesando para frente. "quem sou eu?". Ao seu redor o feixe de luz que banhava a sala vinda de uma telha transparente mostrava um chão imundo, com fezes e diversos insetos, que esperavam o homem morrer para tomar conta de sua carne. O breu tomava conta de seu redor, junto com o forte cheiro de cabelo queimado. "quem sou eu? onde eu estou? o que estou fazendo aqui deste jeito?". Perguntas sem respostas que fazam questão de ficar martelando a cabeça do homem.
Uma porta de ferro pesado sendo aberta, em um breu, onde tudo não passava de trevas. Quatro passos largos e calmos. Em direção, chegando perto do homem. Os passos param, os passos repousam na frente do quase morto. Um estalar de dedos e dois braços erguendo o homem mole, sem forças. Sem nem ao menos poder relutar contra o que sofria:
- Tirem a mordaça e os nós - Uma voz idosa falavaquando terminou de tragar um cigarro. O barulho do papel queimando parecia ensurdecedor nos ouvidos do homem.
As quatro mãos desfizeram o que o prendiam, deixando apenas a venda grossa em seus olhos:
- Não recomendo que você tire as vendas agora. Esta de dia e você esta a um bom tempo sem abrir os olhos. Pode acabar ficando cego. Fique mais um tempo aqui e depois va.
- O que - uma voz rouca insistia em aparecer - o que vocês fizeram comigo?
- Não fizemos nada demais. Apenas deixamos com que você tenha uma outra oportunidade de brincar - o barulho que a voz do homem fez em certo momento fez a cabeça do moribundo tremer, como se fosse atingid por um martelo.
- Fale baixo merda - o seu grito doeu ainda mais seus ouvidos.
- Sssssht. Você pode se machucar sério.
- Aaaaaargh! - seu grito de dor apenas causou mais dor.
Sua cabeça latejava cada vez mais, como se uma grande frequência vagasse por seu crânio. Seus olhos começaram a doer e sua cabeça toda parecia a ponto de explodir.
Os barulhos começaram a diminuir. Pareciam bem mais lentos e melancólicos. O som da tragada parecia eterna. Ele sentia seu mundo o deixando enjoado. Ajoelhado ele sentia o chão girar. Sentindo apenas o frio do concreto e tudo que ele parecia entender sumir de sua mente vagarosamente. Seus últimos momentos de uma dor intensa antes de tudo ficar calmo e escuro.

2 Comments:

At 10:04 PM , Blogger munny said...

eu gosto das coisas que tu escreve, muno. não é o tipo de coisa que eu tenho medo de ler ;)

não mesmo :D
bjs

 
At 10:21 PM , Blogger NM said...

Isso me lembrou Old Boy.

 

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