Sunday, July 22, 2007

Entre o meu bem e o meu mau.

Bom, faz tempo que não posto nada, e a dias atrás tive uma boa idéia para um bom conto, enquanto começava a esquecer onde parei no conto anterior. Então certamente eu de um fim ao conto anterior, mas devo admitir que estou ansioso para começar logo com "entre meu bem e o meu mau". Bom, enfim, vocês ficaram com um prólogo que mostra algo em um tempo incerto da história, conheceram os personagens principais e algumas coisinhas que não teram conexão alguma com o capítulo um.

Prólogo: Entre o meu bem e o meu mau.

O sol rasgava o fim da noite, saindo vitorioso mais uma vez. Enchendo as primeiras horas da manhã com seus raios quentes, que dava vida a tantos seres vivos que estavam sob a terra. Em um cais, acompanhando a beleza da vitória, uma mulher tinha os cabelos pretos presos em rabo de cavalo, ela olhava para o reflexo do sol na água calma do rio, sentada em um degrau que a separava da água, ela fumava, jogando a fumaça para o ar. Os raios de sol a banharam, a esquentaram enquanto ela olhava para o cigarro com uma cara de quem se lembrou de que havia parado de fumar, e o sol a ajudou a apagar o cigarro no chão, ao seu lado. Um vento começou a soprar de sua frente, ela tirou o elástico preto das cabelos e cada fio entrou no ritmo da brisa. Ela admirava o sol, mas sabia do seu poder destrutivo, sabia da importância da noite, do equilíbrio e da loucura e insanidade que tomava ambos os lados. Ela olhou para a bituca de cigarro no chão, olhou para o sol, pegou a bituca e ascendeu, demonstrando um enorme prazer quando deu a primeira tragada. “Como se fosse a última vez” pensou ela. O cigarro teve seu fim, e a luz do sol banhava a todos os seres, eles querendo ou não. Alguns passos vinham de algum lugar por perto, mas ela não se importava, o cigarro havia terminado, e ela não planejava comprar outro maço.

Um rapaz de vinte e tantos anos sentou ao seu lado, seus pés batiam na água e ele estava descalço, ele tinha o rosto cançado, com os cabelos bagunçados e olheiras ao redor dos olhos. Ele parecia se energizar com os pés na água fria, ate que abriu um sorriso ao se virar para a mulher:

- Até quando seremos fantoches? – perguntou o rapaz

- Seremos carrascos para sempre, e nossos lórdes viram o que fizemos.

- Traição é punida com morte – disse o rapaz – você vai para o inferno.

- E como castigo você vai para o paraíso.

Os dois olharam para o sol e se lembraram da lua que a menos de uma hora atrás tomava conta de pelo menos metade do mundo:

- Você tem um cigarro? – ela perguntou ao rapaz.

- Não fumo, isso faz realmente muito mal.

Ela se levantou, colocou as mãos nos bolsos e começou a caminhar devagar. Ele tirou os pés da água e começou a caminhar no chão de pedras ladrilhadas, remangando as mangas compridas de uma camiseta preta sem estampa. O cais estava vazio, e nenhum barulho vinha do outro lado do muro, lembrando como o mundo estava depois dos limites da visão. Os navios não se mexiam e todos pareciam sem dono. Os galpões fechados mostravam que ninguém se importava com eles estarem fechados. Ninguém se importava com mais nada .... ou o nada não se importava em não ter ninguém:

- Onde nós vamos? – perguntou o rapaz.

- Eu vou para o inferno, e você para o paraíso.

- Mas nós ainda temos serventia.

Ela riu.

- Pelo menos é o que você acha, mas acredite garoto, acabou.

- Só por que não sou capaz de andar sobre a água não quer dizer que não sirvo para alguma coisa.

- Antes de poder andar na água você tinha alguma serventia? Não se preocupe, eu sei a resposta. Apenas se contente que esse é o fim rapaz, chega de fantasias, promessas e milagres.

Os dois caminharam juntos até a rua, onde o asfalto ainda frio não tinha sido marcado por pneus, onde o centro de tudo aquilo continuava intacto, enquanto as poucas pessoas passavam a pé por aqui e por ali.

Em uma esquina, os dois se olharam e deram de ombros. Ela seguil para a direita, onde poderia comprar um maço de cigarros antes de ir seja la para onde ela pensava ser possivel ir, e ele seguil para a esquerda, em direção a muito menos que a mulher, esperando que algo acontecesse para que ele pudesse ter algum motivo para viver, ou continuar morrendo aos poucos, como deveria ter voltado a estar.