Sepultamento de ferro retorcido
Dona Cátia antes
Os dias daquele invero estavam ficando realmente frios, e os tantos anos de Dona Cátia a obrigavam a sair de casa bem agasalhada. Seu antigo guarda-roupas ainda servia para guardar todos seus sapatos, e também para esconder alguns doces que comia escondida da filha, que controlava sua diabete com pulso firme. Naquela manhã o clima pedia o casaco de lã que sua irmã Gertrude, que Deus a tenha, havia feito pouco antes de falecer. Era um casaco de lã pesado, verde-musgo, com botões grandes, cor-de-marfim, com dois bolsos fundos na frente, e o comprimento era pouco maior, o que deixava o casaco na altura pouco acima dos joelhos de Dona Cátia. Os cabelos sempre bem penteados, embaixo de uma touca verde. Com pequenos sapatos por cima das suas meias de lã. Estava pronta para sair, e já estava em cima da hora. Fechou bem a casa, acariciou seu pequeno cachorro vira-latas e saiu em passos de pequenas pernas apressadas.
Caminhar naquela manhã gelada não era nem um pouco prazeroso, porém Cátia o fazia com um sorriso no rosto enquanto cantarolava algo baixinho. Dava alguns “ois” aos vizinhos e caminhava sentindo o vento frio bater no rosto, mas pelo que já havia passado na vida caminhar no frio era algo que merecia um sorriso e uma canção, por isso foi assim até a parada de ônibus.
