Friday, May 23, 2008

Sepultamento de ferro retorcido

Dona Cátia antes

Os dias daquele invero estavam ficando realmente frios, e os tantos anos de Dona Cátia a obrigavam a sair de casa bem agasalhada. Seu antigo guarda-roupas ainda servia para guardar todos seus sapatos, e também para esconder alguns doces que comia escondida da filha, que controlava sua diabete com pulso firme. Naquela manhã o clima pedia o casaco de lã que sua irmã Gertrude, que Deus a tenha, havia feito pouco antes de falecer. Era um casaco de lã pesado, verde-musgo, com botões grandes, cor-de-marfim, com dois bolsos fundos na frente, e o comprimento era pouco maior, o que deixava o casaco na altura pouco acima dos joelhos de Dona Cátia. Os cabelos sempre bem penteados, embaixo de uma touca verde. Com pequenos sapatos por cima das suas meias de lã. Estava pronta para sair, e já estava em cima da hora. Fechou bem a casa, acariciou seu pequeno cachorro vira-latas e saiu em passos de pequenas pernas apressadas.

Caminhar naquela manhã gelada não era nem um pouco prazeroso, porém Cátia o fazia com um sorriso no rosto enquanto cantarolava algo baixinho. Dava alguns “ois” aos vizinhos e caminhava sentindo o vento frio bater no rosto, mas pelo que já havia passado na vida caminhar no frio era algo que merecia um sorriso e uma canção, por isso foi assim até a parada de ônibus.

Thursday, May 15, 2008

Sepultamento de ferro retorcido

Introduçãozinha chata


Então, desisti de escrever "saída de emergência" por que estou sem idéias e se penso em alguma coisa é só nesse novo conto que penso.
"Sepulttamento de ferro retorcido" é um conto de vários pequenos pedaços, "mas como assim Bruno? você é estúpido?", calma gente. Preciso apresentar os personagens, e é com eles que vou escrevendo a estória. Por isso leiam sempre os "antes", depois leiam o "durante" e por último leiam o "fim" O.K.? isso vai ajudar a cabecinha de vocês a entenderem =P

ps. se possível vou postar uma parte por dia, mas ja que ninguém entra no blog todo dia não estou tão rigoroso comigo mesmo XD

Sepultamento de ferro retorcido

Felipe antes

“Droga, maldito celular. Para que serve se nem me acordar consegue?”. O jovem rapaz descia correndo as estreitas escadas do prédio onde morava. “Se eu perder o ônibus ...”, pela décima vez nos útlimos três minutos olhou o relógio de pulso “ não acredito”, e continuou correndo, ainda mais rápido.

Os dias daquele inverno estavam cada vez mais frios, e àquela hora da manhã o vento cortava as bochecas avermelhadas. As ruas pareciam mais mortas por causa das árvores, e as pessoas tinham a mania de andar mais de carro. Não se sabe por que, mas naquela manhã o celular não havia despertado, Felipe havia acordado vinte e dois minutos atrasado e agora corria arrumando o cachecól em volta do pescoço. Na rua reta que se seguia ele via a rua principal, e rezava para não ver a lateral azul do ônibus que pegava, porém acabou vendo, pouco antes de dobrar a rua para chegar à parada. “Grande Felipe, o que você faz agora sua besta?”:

- Com licença, senhora – Felipe estava atrás de uma senhora já de idade, ela usava um pesado casaco de lã verde-musgo e alguns dos seus cabelos bem brancos escapavam da touca verde que usava.

- Pois não meu jovem? – ela o olhava de baixo.

- A senhora sabe algum ônibus que me leve até o centro? Eu deveria ter pego o linha dois-centro que acabou de passar.

- Em pouco tempo vai vir o meu, ele te deixa no centro, só que entra em um bairro antes.

- E sera que vale a pena pegá-lo?

- Outro direto até o centro vai demorar um pouco ...

- Ahn ... então esta bom, obrigado.