Sepultamento de ferro retorcido
Felipe antes
“Droga, maldito celular. Para que serve se nem me acordar consegue?”. O jovem rapaz descia correndo as estreitas escadas do prédio onde morava. “Se eu perder o ônibus ...”, pela décima vez nos útlimos três minutos olhou o relógio de pulso “ não acredito”, e continuou correndo, ainda mais rápido.
Os dias daquele inverno estavam cada vez mais frios, e àquela hora da manhã o vento cortava as bochecas avermelhadas. As ruas pareciam mais mortas por causa das árvores, e as pessoas tinham a mania de andar mais de carro. Não se sabe por que, mas naquela manhã o celular não havia despertado, Felipe havia acordado vinte e dois minutos atrasado e agora corria arrumando o cachecól em volta do pescoço. Na rua reta que se seguia ele via a rua principal, e rezava para não ver a lateral azul do ônibus que pegava, porém acabou vendo, pouco antes de dobrar a rua para chegar à parada. “Grande Felipe, o que você faz agora sua besta?”:
- Com licença, senhora – Felipe estava atrás de uma senhora já de idade, ela usava um pesado casaco de lã verde-musgo e alguns dos seus cabelos bem brancos escapavam da touca verde que usava.
- Pois não meu jovem? – ela o olhava de baixo.
- A senhora sabe algum ônibus que me leve até o centro? Eu deveria ter pego o linha dois-centro que acabou de passar.
- Em pouco tempo vai vir o meu, ele te deixa no centro, só que entra em um bairro antes.
- E sera que vale a pena pegá-lo?
- Outro direto até o centro vai demorar um pouco ...
- Ahn ... então esta bom, obrigado.

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