Sepultamento de ferro retorcido.
Sophia antes
Fazia tempo que o frio não era tão rigoroso, e por isso, fazia tempo que Sophia não tomava uma grande caneca de café com leite quente quando acordava. O banho quente não era quente o bastante, mas à acordava de verdade, já que, por mais que tentasse, acordar disposta as quinze pras seis da manhã era difícil. Seus livros no quarto estavam desarrumados, como de costume, “Diabos! Eu tenho certeza que deixei ele aqui, exatamente aqui!”, o livro que ela procurava estava, e ela só iria descobrir quinze minutos depois, dentro de sua mochila.
Ela saia de casa e caminhava algumas quadras. Suas costas doíam à dias, e o remédio para dôr muscular parecia não estar fazendo mais tanto efeito. Uma casa que sempre lhe chamou à atenção era, com toda certeza, a primeira da sua rua. Uma típica casa que nunca se vê aberta, com janelas escancaradas, mas se sabia que moravam pessoas, já que diversas vezes Sophia via um homem robusto cortar a pequena faixa de gramado que havia entre os trilhos para o carro entrar. Outra coisa que sempre chamou sua atenção era a maneira como as pessoas conviviam umas com as outras, como elas se deparavam com certas situações, com surpresas. Ainda não sabia o quanto iria aprender sobre “situações” naquele dia, mas caminhava vagarosamente em frente a primeira casa de sua rua, onde, para seu espanto, tinha as janelas abertas, revelando uma sala e um quarto, ambos pintados de amarelo, em tons diferentes, e com paredes repletas de fotografias antigas, “Uau! Ela é mais linda do que pensei”.

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